Cirurgia de traqueia

A cirurgia traqueal até a poucas décadas  atrás  limitava-se a execução de traqueostomia e, muito raramente a ressecção  de algum tumor de traquéia.

O advento da terapia intensiva e a  utilização de ventilação mecânica para dar suporte ventilatório a pacientes em  estado grave, fez com que aumentasse o número de complicações traqueais  resultando em uma nova patologia cirúrgica: a estenose traqueal pós-intubação  prolongada.

Além disto, existem as malformações  congênitas traqueais como estenose e malácia (fraqueza das cartilagens  traqueais) que muitas vezes necessitam de tratamento cirúrgico durante a  infância.

Imagens

Estenose de terço médio da traqueia após intubação prolongada
Estenose de terço médio da traqueia após intubação prolongada
Estenose em região subglótica
Estenose em região subglótica

Traqueostomia em crianças

A decisão de realizar a traqueostomia em crianças é complexa e depende de vários fatores, incluindo gravidade de obstrução de via aérea, tempo de entubação endotraqueal, dificuldade com entubação e problemas clínicos subjacentes da criança.

É fundamental que, antes de se decidir por traqueostomizar uma criança, proceda-se a exame endoscópico diagnóstico da via aérea. A fibronbroncoscopia  pode ser realizada  no leito do paciente ou bloco cirúrgico e fornece informações sobre vias aéreas superiores e inferiores.  Um exemplo prático da importância de se pesquisar a causa subjacente da obstrução ocorre nos casos de malformações de grandes vasos. Nesses casos preferencialmente se evita traqueostomia, pois o risco de erosões das paredes traqueais e do vaso compressor pela fricção da cânula de traqueostomia é muito grande.

a_image720As indicações de traqueostomia recaem em 3 grandes grupos:

a) Alívio da obstrução respiratória alta;

b) Manutenção de ventilação mecânica prolongada;

c) Toalete pulmonar.

 

Indicações de traqueostomia em crianças

1. Obstrução alta de via aérea

1.1 Congênita

1.1.1 Síndromes crânio-faciais, mandíbula hipoplástica

 Anomalias laríngeas congênitas

 Paralisia bilateral de pregas vocais

 Anomalias traqueias congênitas

 Malformações linfáticas

1.2 Adquirida

1.2.1 Trauma

  Trauma laríngeo interno (pós-intubação)

  Trauma laríngeo externo (fratura)

  Inalação cáustica, de fumaça, dano térmico, corpo estranho

1.2.2 Infecção

  Laringotraqueíte, traqueíte bacteriana

  Epiglotite aguda

  Difteria

  Abscessos cervicais profundos

  Papilomatose laríngea

1.2.3 Neoplasias

  Hemangioma

 Apnéia obstrutiva do sono

2. Toalete pulmonar

Artigos com mais informações sobre cuidados com crianças com traqueostomia

Cuidados com traqueostomia em crianças [PDF]

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